um dia somos pegos
pelas intempéries de vidas vazias
vadias tardias esguias que esgueiram
pelas trilhas e buscam avenidas

um dia somos objetos
de fúteis projetos de vidas vadias
que espreitam nas esquinas frias e correm
pelas vias de vidas vazias

um dia somos pungidos
por mãos ágeis e palavras frágeis
por pontas que despontam nas falsas
passagens de ritos e sentidos

um dia vemos e reagimos
aos estímulos nulos de mentes tardias
que pensam e abusam de suas próprias propinas
das falsas descobertas da dor de suas sinas

um dia crescemos e vamos
ao encontro daquilo que é nítido
que vemos que vimos que tínhamos
em nossas promessas e refrões e canções
em nossas notas com harmonia e jargões
em nossas prosas com certos e incertos
em nossas vidas com dias encobertos
por nuvens encharcadas de pretextos
e novos textos e roteiros
de peças incompletas
repletas de novas descobertas
e incertezas e revezes…